17/10/2011

Midnight in Paris [2011] por Sofia

(alerta: spoiler) Não simpatizo com Woody Allen. Match Point é o meu eleito do realizador e depois de ver Midnight in Paris, confirmei que assim permanecerá e a simpatia para com o senhor continua em "vias de extinção". 




O filme tinha tudo para ser bom, mas fica-se pelo "pateta". A história é interessante - um escritor à procura de inspiração em Paris (será este tema uma metáfora aplicável a Allen?). O filme é envolto por personagens básicas e dadas ao ridículo, mergulhado por viagens no tempo e encontros com figuras de vulto e totalmente subaproveitadas. Eis os "detalhes" que mais me desagradaram: 

- A politiquice expressa em vários momentos através do discurso democratas versus republicanos. 

- Ernest Hemingway gozado com parvas referências à sua experiência na Segunda Guerra Mundial, pela sua paixão pela caça e como não podia deixar de ser, a crítica ao gosto do escritor pelas touradas. É basicamente um bêbado sentado num bar. Só faltou insinuarem uma relação homossexual com Juan Belmonte. 




- Pablo Picasso retratado como alguém mínimo, preocupado com uma amante - será o mesmo Picasso? Aquele que um dia disse: "a mulher para ser perfeita deve ser passiva e submissa (...)"?.

- Gertrude Stein, com as paredes da sua casa correctamente recheadas por quadros de Juan Gris, Matisse e Picasso's é uma mera revisora literaria?

- Salvador Dalí - sim era louco, mas dar-lhe tempo de antena para falar de rinocerontes, era desnecessário. 

Pelo filme circulam ainda: Cole Porter, Zelda Fitzgerald, F. Scott Fitzgerald, Joséphine Baker, Luis Buñuel, T.S. Eliot, Henri Matisse, Leo Stein, Henri de Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin, Edgar Degas, etc. TUDO para conseguir algo genial, mas não, a opção "pateta" foi a escolhida. Este desfile de personagens históricas e intocáveis, envoltas em diálogos fracos, limitados e com tentativas de "cunho cómico" são para mim verdadeiros baldes de água fria. 

Existem no entanto, três coisas fazem sentido no filme: 
- Owen Wilson 
- Paris 
- e a escolha da pintura de Vicent van Gogh como fundo para o cartaz promocional do filme. Parece-me que Allen e Gogh têm algo em comum - esquizofrenia, por exemplo.



21/09/2011

Somewhere (2010) por Sofia

Atenção: contém spoilers



É oficial. Sofia Coppola ganhou um lugar cativo no top dos meus realizadores favoritos.
Aqueles que conhecem a obra da autora e que a apreciam, não estranham a existência em Somewhere de elementos sonoros, emotivos e sobretudo a existência de cenários pensados ao detalhe e o recurso a uma sensibilidade delicada e subtil.

Johnny Marco (Stephen Dorff), um actor no auge da carreira, bem sucedido, rodeado por "aparentes amigos", mulheres, álcool, drogas, só, sem sentido, oco. 
Cleo (Elle Fanning) leva uma vida de idas e de vindas - típica de alguém que é filha de país separados.  Dotada de uma aparência jovem, mostra-se madura e adulta em várias ocasiões, não através de palavras, mas pelas acções. São intercalados momentos dúbios em que a maturidade sobressai à juventude - e vice-versa. Temos um desfile de pormenores: a menção à saga Twilight;  a  wii, o ballet,  o diário, a culinária e a preocupação para com os outros. 




Cenários: o fabuloso e mítico hotel Chateau Marmont e o Ferrari de Marco.

Sofia Coppola consegue, mais uma vez, colocar no enredo, detalhes que à vista desarmada passariam despercebidos a um olhar menos atento - a moda, as marcas, a música - tudo isto denota uma contemporaneidade interessante, sóbria e atenta. A história de Somewhere é contada por alguém que tão bem conhece o "mundo hollywood" e quiçá, a sua própria vivência/experiência tenha servido de inspiração à história. 

Uma pequena menção a Chris Pontius - Sammy - o melhor amigo de Marco e é nada mais nada menos que igual a si mesmo e àquilo que é na vida real. 
É um filme sobre solidão, aparências e sobre a busca de sentido para a vida. Recheado por planos fabulosamente detalhados, takes longos e filmado a um ritmo absolutamente arrebatador. O auge - uma íntima e profunda cena partilhada por pai e filha na piscina, mergulhada em profundo silêncio no que a palavras diz respeito, mas com a música "I'll Try Anything Once" dos The Strokes como banda sonora.




No fim - a certeza de que todos temos "uma estrada a percorrer na vida". 
Resumindo: precioso 

13/09/2011

Rise of the Planet of the Apes (2011) por Sofia

Contém spoilers (mais ou menos)

Ultimamente evito ler críticas e notícias tendenciosas - seja para o bem, seja para o mal, sobre determinados filmes. Procurei ir ver o filme, com a mínima informação possível, sendo que as únicas coisas que vi foram os trailer (dos melhores que se tem feito ultimamente) e os posters.
Não conheço a obra literária por detrás do filme e não sou propriamente fã de ficção científica e assim sendo,  peço desculpa antecipadamente àqueles que acharem que o que vou escrever é terrivelmente parvo e dispensável.




Questiono: é o Rise of the Planet of the Apes ficção científica? 
  • É ficção científica a luta incessante, despesista, arrogante, torturadora, manipuladora  e capitalista que as indústrias farmacêuticas enveredam na busca do medicamento supostamente perfeito ?
  • É ficção científica a propagação de vírus criados em laboratório?
  • É ficção científica a eterna mania que o ser humano tem em denominar-se o "ser superior"?
  • É ficção científica o desrespeito e a intolerância para com a doença e por aqueles que são diferentes da normalidade vigente?
  • É ficção científica ver primatas a demonstrarem inteligência, capacidades de raciocínio, sentimentos e domínio na língua gestual?





E acrescento: Luta de classes? Acesso a direitos básicos? Respeito? Liberdade? 
Somos nós - homo sapiens sapiens - membros do ramo de primatas que foi brindado pelo processo de hominizacao, superiores? Seres evoluídos física e mentalmente ?
Tenho dúvidas.
Talvez o facto de ter estudado a hominização me faça ter algumas inquietações. Tento ter sempre presente a ideia de que os nossos antepassados primatas não inventaram o fogo, aprenderam a manusea-lo, criaram os bifaces e pintaram nas paredes das grutas, as primeiras representações artísticas da História. Convém ter igualmente "a fresco" na memória: selecção natural, a lei do mais forte, etc. - o evolucionismo. 




O filme é competente, bons efeitos especiais, um César extraordinário. Um James Franco suficiente, John Lithgow num bom registo e Freida Pinto, linda de morrer. Mas César é o centro das atenções - nele vi um líder sindical, um chefe de estado, o responsável por uma empresa de sucesso, um líder espiritual e um intérprete de língua gestual.

Até hoje sempre tinha tido o sonho utópico de ter um macaco em casa. Mudei de ideias. Não por receios físicos, mas por medos intelectuais. 


10/09/2011

Blue Valentine (2010) por Sofia



Nota: contém spoilers

Como é complicado escrever sobre algo que se gostou tanto.
Blue Valentine estava na lista dos "a ver" há muito, mas só nas férias consegui ver... e como estava em falta.

Derek Cianfrance teve a genial sorte de iniciar a carreira com um filme que gera na maioria dos espectadores - semelhança, empatia, identificação. É bom perceber que em pleno século XXI, a abordagem amor/ desamor continua a ter um lugar no cinema e que a forma de o abordar é quase inesgotável.
O filme mostra que o amor não é suficiente. O amor não vence o “factor tempo”, a rotina, a apatia. Não chega sexo, não chegam os filhos, não chega uma casa, não chega o emprego estável – nada salva aquilo que tem a morte anunciada.
A fantástica história de Cianfrance tem como personagens principais Dean (Ryan Gosling) e Cindy ( Michele William) – um casal igual a tantos outros, mas que neste filme está em plena crise matrimonial. Dean, mais do que Cindy tenta encontrar uma solução, a salvação da relação. E na tentativa desesperada de estabilizar o que têm, resolve promover uma noite romântica – longe de tudo e de todos, num cenário que tinha grandes possibilidades de unir física e intimamente o casal. Não resultou – piorou.


Talvez o que torna o filme tão intenso e ao mesmo tempo quase cruel – são os diálogos intensos entre o casal, bem como a recorrente utilização de flashbacks, em que a narrativa navega entre o passado e o presente, sendo que no passado assistimos a uma história de amor e no presente somos presenteados com um anunciado fim.
Aqueles que já viveram relações longas, percebem a honestidade da história por detrás de Blue Valentine. O amor acontece, o amor acaba. Não é possível evitar o fim, mas pode ser evitado um fim  doloroso.
O filme é incrivelmente bonito. É uma viagem ao desgosto, ao amor e a promessas que se pretendiam eternas. Adorei cada detalhe, cada palavra, cada suspiro.
P.S. - a banda sonora é perfeita



07/08/2011

Captain America (2011) by Sofia

por Sofia;

Em primeiro lugar, quero agradecer à Lusomundo o facto de ter escolhido como primeiro anúncio - dos 20 minutos de propaganda consumista que antecedem o filme - uma publicidade totalmente gay que envolve o Hugh Jackman a dançar na tentativa de promover chá frio. Depois fiquei na dúvida se, na nova versão dosThe Three Musketeers - além dos golpes à Matrix e de desfiles de Flying Dutchman – existirão universos paralelos…






Findos os sufocantes 20 minutos de lixo informacional começa Captain America. E começa tão bem – com uma subtil referência ao século XXI e o primeiro manifesto a Avengers.

Para alguns, não é desconhecido o facto de que a História é um factor determinantena minha vida, e por vezes, acontece ver determinados filmes sob um determinado prisma – o histórico.
E este prisma faz-me perceber porque é que muitos – sobretudo os mais jovens – não acham piada ao Capitão América, não tem high-tech, não tem gadgets, não tem computadores touch screen. Tem a Segunda Guerra Mundial.

Aqueles que conhecem a banda desenhada original, sabem que o Capitão América nasceu de uma onda de super-heróis que foram usados como divulgação do patriotismo norte-americano e é muito curioso como em pleno ano 2011 os EUA continuam conseguir usar a máquina "I Want You".





No filme está implícita a teoria do “super homem” Übermensch, descrita por Nietzsche no seu livro “Assim Falou Zaratustra”. Teoria esta, tão querida a Adolf Hitler e independentemente de ser verdade esta inspiração ou não, facto é que Hitler, juntou a medicina e a ciência ao sabor da guerra e promoveu uma luta incessante pelo “afinar da raça pura” e imbatível. Sim, os americanos também não são inocentes nesta matéria – prova é, a obstinação que ainda hoje, têm pelas características especiais de algumas das suas forças militares.
Outro detalhe bem conseguido no filme, é a questão do fascínio que os nazis tinham pelas relíquias históricas e pela mitologia – aqui tão bem aproveitada para fazer a ponte com Thor.

Chris Evans, uma excelente surpresa, com acção, quando deve aplicar acção, cómico, quando deve ser cómico. Adorei ver que o fato azul nasceu sujo, e sujo permaneceu – para mim até agora o melhor fato das adaptações Marvel ao cinema. Os detalhes Howard Stark são deliciosos e como Dominic Cooper faz bem a ponte com a personagem de Downey Jr. Num elenco com boas personagens secundárias,merece especial destaque Tommy Lee Jones – afinado sempre que aparece.

Num filme – denominado por muitos, de comercial – em que existe uma ausência de contemporaneidade (tirando alguns minutos do filme), a Europa recebe uma “chapada de luva branca”, e numa altura em que o nosso continente critica os EUA pelas declarações das agências de rating, foi uma boa altura para relembrar os mais esquecidos que devemos aos americanos a vitória da Segunda Guerra Mundial. E Red Skull disse “o futuro não tem bandeiras” – questiono - terá sido esta, uma provocação ao fim das diferentes moedas e adopção definitiva do dólar pelo mundo?

Como gostei de Captain America… foi uma surpresa boa e similar ao Thor. Venham os Avengers, estou preparada.

13/06/2011

Daydream Nation (2010)

por Sofia;

Não via um filme que me enchesse tanto as medidas há muito tempo. ADOREI do principio ao fim. Gostei de cada detalhe, cada plano, cada dialogo.



Kat Dennings é um diamante em bruto e tão gira que até chateia. Ela interpreta Caroline, a eterna adolescente, orfã de mãe, que é obrigada a ir viver para uma cidade mínima e monótona.
É um filme independente - o que acarreta alguns riscos e desconfortos para alguns espectadores. Tem cortes narrativos, flashbacks, e alguns diálogos estranhos e pouco habituais para os mais desatentos.
Tem sexo, drogas, um assassino em série, professores pouco docentes e tem sobretudo muitos jovens com problemas hormonais.
Posso arriscar e descreve-lo como um um mix de Californication + Weeds + Juno + Trainspotting

Obrigatório para quem gosta do género.

The Other Woman A.K.A Love and Other Impossible Pursuits (2010)

por Sofia;

"Tiro o meu chapéu" a Natalie Portman, que,  com este filme conquistou oficialmente um lugar no meu top de actrizes favoritas. 


Este filme realizado por  Don Roos é um drama puro e duro. Não é lamechas, não faz chorar "baba e ranho", é triste, cruel e real. Aborda relações familiares, amor, traição e culpa.
A personagem principal - Emilia Greenleaf vive atormentada entre o facto de ser/ter sido "a outra", a perda de um filho, a revolta pelo facto de ter problemas com o pai e as tentativas falhadas de tentar conquistar de a simpatia de um enteado (peculiar). É uma personagem fascinante e pela qual me apaixonei.
Destaco ainda Lisa Kudrow, num papel frio e sério - um registo a que estamos pouco habituados, mas que ela consegue interpretar de forma subliminar.

É um "open eyes" e um bom exercício mental para aqueles(as) que estão envolvidos com malta casada ;)

08/06/2011

Gangs of New York (2002)



por Sofia;




Ontem - finalmente - vi o filme Gangs of New York e sim demorei alguns anos...

Infelizmente tenho que confessar que durante três horas nem me lembrei que estava a ver um filme de Martin Scorsese.






Temi o momento em que no meio de tanto amontoado de cores e estranhos diálogos (para não dizer fracos), surgisse uma música e todos começassem a dançar. E como odeio musicais.

O filme é visualmente interessante - as roupas, as caracterizações, alguns cenários. Mas é confuso a nível narrativo, já para não dizer que é a nível histórico "fraco e pouco correcto".

A existência de milhares de nomes de gangs, associados a uma guerra civil, com bordéis, chineses, feiras/circos, emigrantes pretos, emigrantes irlandeses, emigrantes italianos e até um elefante a passear por lá, só serve para confundir o espectador.

Leonardo DiCaprio tem um papel "mais ou menos" - sabemos que consegue melhor. Liam Neeson é sempre um prazer - pena ter sido por pouco tempo. A Cameron Diaz, circula por lá, interpreta uma espécie de ladra/prostituta e como sempre mediocre. Daniel Day-Lewis a alma e coração do filme. É ele, para mim, a salvação do filme.



Aiiiiiiiiiii Martin Martin, esperava mais... muito mais. Tinha tudo e fez tão pouco...