03/12/2011

Immortals (2011) por Sofia

[spoiler]

Quando vi o trailer de Immortals pela primeira vez pensei para comigo – sim, vais gostar! Depois de ter visto o filme, sou obrigada a concordar comigo própria… sim, gostei!
Os críticos de cinema – aqueles mais dados ao sério, que me desculpem, mas este é um daqueles filmes que me toca ao coração. A minha veia “investigação” abandona a racionalidade e dá lugar à paixão.



Longe de ser cinematograficamente perfeito – objectivo esse que não me parece ser a determinação principal de Tarsem Singh, é um orgasmo visual – fabulosamente gráfico do princípio ao fim. Mas, se me perguntarem se considero o 3D necessário… a resposta é não. Percebo a sua utilização no filme, mas tenho a certeza que mesmo sem esta tridimensionalidade, o filme iria ser igualmente soberbo a nível gráfico.
Qualquer filme que contenha um herói / líder retirado do "leque mitológico" e que tenha nos seus antepassados próximos um 300, um Troy, um Alexander e até um Spartacus vai sentir na pele a crítica feroz daqueles que medem tudo o que é filme, pela mesma régua. A mim, não me interessa, Teseu (Henry Cavill) não é Leónidas e Hyperion (Mickey Rourke) não é Xerxes – falamos de episódios diferentes.




Aqueles que têm a mente aberta e que conhecem relativamente bem a mitologia grega, sonham durante 110 minutos. Deuses, semi-deuses, imortais, mortais, oráculos, símbolos, mitos, lendas, tudo isto tem espaço em Immortals. Sim poderia ser melhor, mais detalhado talvez, mas certo é que isso ia tornar um filme de acção, num documentário sobre mitologia grega, e para isto existe o canal História.

No entanto, alguns detalhes têm que ser mencionados. Um dos erros está na personagem Hyperion. Interpretado por Mickey Rourke (que é, nada mais nada menos do que igual a si mesmo) é no filme uma espécie de mercenário ao serviço do mal. Mas na verdade, na mitologia grega Hyperion era filho do Deus Urano e de Gaia e era na verdade um Titã, portanto se Tarsem tivesse tido isto em conta, a personagem teria talvez tido mais força. Os Imortais também são algo que não está bem definido, são uma espécie de trogloditas com o dom da imortalidade, que a meu ver mereciam um melhor trato tendo em conta que são os únicos com o dom de fazerem com que os Deuses saíssem do Monte Olimpo e descessem à terra com a sua verdadeira forma física. Também com Fedra as coisas não são lineares. Fedra era na verdade filha do rei Minos (de Creta) e casa de forma "obrigada" com o rei Teseu (sim, Teseu foi Rei de Atenas) e toda a história entre estas duas personagens é uma tragédia grega e não o bonito romance que o filme aborda. 



Faltou a Teseu as sandálias e a espada do pai, faltou-lhe Ariadne, falta Atenas e faltaram as Amazonas. Temos o Minotauro e o labirinto, mas em versão muito soft. Existem falhas narrativas e históricas no filme. Mas sinceramente, penso que isso não é relevante. Os nossos olhos ficam tão exacerbados pelo factor visual que tudo o resto é acessório - mesmo àqueles olhos mais atentos e exigentes. Considero que esta mesma orgia visual, impede as divagações acerca das qualidades interpretativas de Henry Cavill, que muitos querem ver falhar “à força” no próximo filme da fasquia Superman. É um filme para pensar como um todo e não em detalhes mesquinhos.





Temos Zeus, temos Atena, Ares, Poseidon, Heracles, etc. E as cenas onde os deuses intervém, são fabulosas. Não sei se teremos um Immortals 2… mas Teseu era herói o suficiente para isso, no entanto a introdução de Acamas (filho de Teseu e Fedra) no fim do filme, faz-me suspeitar que a existir um segundo, vamos ter algo que envolva Tróia... 



Ora bem... a ver, por todo o refinamento visual onde tudo o resto é acessório!

11/11/2011

The Ides of March (2011) por Sofia

[talvez contenha spoiler]

Alguém por aqui já reflectiu sobre o título do filme em causa? 
Provavelmente não, eu é que reparo nestas coisas esquisitas. Os Idos foi uma espécie de contagem cronologica que os romanos - esse povo inventivo da antiguidade clássica - criaram para dividir os meses. Os Idos decorrem no décimo terceiro ou no décimo quinto dia do mês - no primeiro dia da Lua Cheia (depois ainda existem as calendas e as nonas). O que é que isto tem a ver com o filme? Tudo, porque os Idos de Março ficaram registados na história, por ser a data em que Júlio César foi assassinado (a 44 a.C). 
Continuam na mesma, não é? Mas vão continuar assim, porque eu não vou contar tudo!




Enquadramento ao filme: 
Todos (mesmo os mais distraídos) sabem que o sistema eleitoral americano não é fácil de entender. Nos Estados Unidos da América existe uma votação a que se dá o nome de eleições "primárias". Estas são eleições internas, ou seja dentro de um partido político (militantes) que permitem nomear um candidato a uma eleição futura. E é este o mote do filme. 

O filme:
Não quero desvendar muito, porque considero ser um filme A VER e portanto, não chega ler "resumos".



Republicanos versus Democratas em Ohio. A escolha do estado "cenário" foi uma jogada inteligente de George Clonney. Ohio é politicamente um desafio, pois não é dominado politicamente por nenhum dos partidos. Os republicanos votam em democratas e os democratas votam em republicanos.
Os 5 primeiros minutos do filme são especiais e mostram porque é que é que Ryan Gosling é um dos melhores actores da actualidade e fica justificado porque é que George Clooney o escolheu. O filme foca-se nos bastidores da política, naqueles que preparam discursos, estratégias, itinerários. Aqueles que definem como o candidato deve agir, mover-se, até pensar. Aborda os profissionais da política - aqueles que estão na sombra dos políticos - os "casados com a campanha".




No meio de intensos momentos e diálogos, percebemos as diferenças entre objectivos e países. Nos EUA, os discursos dos políticos abordam o petróleo, a pena de morte, as guerras, a tecnologia, o ambiente. A Constituição é a religião da nação e está em causa liderar não só o país, mas o mundo. O filme é feito de momentos, e o mestre é superado pelo súbdito, recheado por excelentes personagens secundárias - interpretadas por Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei Evan Rachel Wood
Fantástico retrato de como em política o mais importante é a lealdade e como nem sempre, tudo o que parece é. Ficamos com a certeza de que os políticos, são homens e no fim do filme vão perceber a importância da "morte de Júlio César" e dos Idos de Março. 




"When we make a mistake, we lose the right to play"

01/11/2011

Boss

por Sofia;

Na minha opinião, Boss é a maior surpresa (pela positiva) da temporada 2011/2012 de séries norte-americanas.
Kelsey Grammer habituou-nos a um registo cómico, tão bem representado em Cheers ou Frasier, mas também foi Beast (X-Men 3), foi o general Partridge, etc. Com a sua voz poderosa, parece-me que tal como Glenn Close em Damages, Grammer vai fazer com que a televisão se eleve, e que cada vez mais as interpretações de actores em séries televisivas igualem ou superem as interpretações cinematográficas de alguns dos actores mais badalados da actualidade.



Como tinha saudade de uma boa série política - The West Wing, foi e é marcante para a história da televisão, mas parece-me que esta série terá igualmente algo a dizer.
O canal Starz está mais uma vez de parabéns. A aposta é singular e perigosa de manter no ar - sobretudo pelos assuntos delicados e controversos que aborda.
Não quero adiantar muito sobre a série. De facto, não é para todos os públicos, aborda política, o sistema eleitoral americano, a lúxuria, a corrupção, a ausência de escrúpulos, a doença e é sobretudo uma crítica feroz ao uso de "aparências".

O cenário - a cidade de Chicago. Aborda de forma sublime a questão das etnias tão importantes na cidade em causa, os problemas sociais e os problemas políticos inerentes a esta diversidade. Para os curiosos no assunto - Chicago é governada por um prefeito, tem um tesoureiro próprio e existe um conselho municipal, que é constituído por um representante de cada uma das 50 zonas da cidade.
E para que percebam melhor esta peculiaridade da cidade fiquem com números dos censos de 2000:

- 41,97% (dos habitantes da cidade) são caucasianos
- 36,77% afro-americanos
- 26,02% hispânicos
- 0,36% nativos americanos
- 4,35% asiáticos,
- 0,06% nativos polinésios
- 13,58% são de outras etnias
Agora imaginem todo este enredo numa exímia série de televisão. 5 estrelas e bem recheadas. Mais que recomendado...


E termino com uma citação de Winston Churchill"A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes."


Nota: As estatísticas aqui apresentadas podem não ser as correctas - tendo em conta que o sitio web de onde as tirei não prima por credibilidade, mas podem visitar o site oficial dos Censos americanos - aqui.

19/10/2011

Crazy, Stupid, Love [2011] por Sofia

(alerta; spoiler)

A história é simples: casamento, divórcio, renascer, reaprender, amar.
Estas palavras são os ingredientes fundamentais para uma receita simples - tudo para que um filme se torne básico e normal, mas Glenn Ficarra e John Requa conseguiram realizar um filme despretensioso, sem recorrer ao humor fácil e a dramas lamechas. É um filme bem disposto, simples, muito bem interpretado. 



A história: um casal (Cal Weaver - Steve Carell e Emily Weaver - Julianne Moore) depois de um longo casamento, vê-se assombrado por uma relação extra-conjugal e abalado por um pedido de divócio. Envolto em problemas existenciais e perda de confiança nele próprio, Cal refugia-se num bar, onde conhece o mulherengo, experiente conquistador e sexy Jacob Palmer (interpretado por Ryan Gosling). Entre os dois nasce uma parceria, Palmer voluntaria-se para ensinar Cal a ganhar auto-estima e ensina ao inexperiente e candidato ao divórcio, a arte da sedução. Entre o mestre e o aprendiz nasce uma relação de amizade. 
Inserido o ditado "pela boca morre o peixe" entra no enredo a fabulosa Emma Stone, que dá o corpo e alma a Hannah, aquela que vai desafiar a forma de ser e de estar de Jacob - o mulherengo. 
A vida dá voltas, e o divórcio não passa de um projecto e aquele que era imune ao amor, encontra-o onde menos se espera, no seio da família que tão bem conheçe... de longe.




O enredo é povoado por fabulosas personagens secundárias: Marisa Tomei é incrível - pena aparecer tão pouco tempo. Analeigh Tipton ex-concorrente do programa de Tyra BanksAmerica's Next Top Model é Jessica, a babysister que é apaixonada pelo homem mais velho, pelo chefe e pai do casal de "crianças" que toma conta, cujo rapaz,  por sua vez é apaixonado por ela. Rapaz este - Robbie Weaver, interpretado por Jonah Bobo - uma personagens preciosa.
Kevin Bacon é David Lindhagen - a causa do divórcio, e Liza Lapira é Liz, a melhor amiga de Hannah - aquela que diz as verdades e cujo sentido de humor, envergonha mesmo as almas mais "livres". 

A minha cena favorita: 



Em resumo: Carrel e Gosling são únicos, e as meninas - Moore e Stone são igualmente excelentes. O filme é  competente, divertido, acessível e repito: despretensioso. 

17/10/2011

Midnight in Paris [2011] por Sofia

(alerta: spoiler) Não simpatizo com Woody Allen. Match Point é o meu eleito do realizador e depois de ver Midnight in Paris, confirmei que assim permanecerá e a simpatia para com o senhor continua em "vias de extinção". 




O filme tinha tudo para ser bom, mas fica-se pelo "pateta". A história é interessante - um escritor à procura de inspiração em Paris (será este tema uma metáfora aplicável a Allen?). O filme é envolto por personagens básicas e dadas ao ridículo, mergulhado por viagens no tempo e encontros com figuras de vulto e totalmente subaproveitadas. Eis os "detalhes" que mais me desagradaram: 

- A politiquice expressa em vários momentos através do discurso democratas versus republicanos. 

- Ernest Hemingway gozado com parvas referências à sua experiência na Segunda Guerra Mundial, pela sua paixão pela caça e como não podia deixar de ser, a crítica ao gosto do escritor pelas touradas. É basicamente um bêbado sentado num bar. Só faltou insinuarem uma relação homossexual com Juan Belmonte. 




- Pablo Picasso retratado como alguém mínimo, preocupado com uma amante - será o mesmo Picasso? Aquele que um dia disse: "a mulher para ser perfeita deve ser passiva e submissa (...)"?.

- Gertrude Stein, com as paredes da sua casa correctamente recheadas por quadros de Juan Gris, Matisse e Picasso's é uma mera revisora literaria?

- Salvador Dalí - sim era louco, mas dar-lhe tempo de antena para falar de rinocerontes, era desnecessário. 

Pelo filme circulam ainda: Cole Porter, Zelda Fitzgerald, F. Scott Fitzgerald, Joséphine Baker, Luis Buñuel, T.S. Eliot, Henri Matisse, Leo Stein, Henri de Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin, Edgar Degas, etc. TUDO para conseguir algo genial, mas não, a opção "pateta" foi a escolhida. Este desfile de personagens históricas e intocáveis, envoltas em diálogos fracos, limitados e com tentativas de "cunho cómico" são para mim verdadeiros baldes de água fria. 

Existem no entanto, três coisas fazem sentido no filme: 
- Owen Wilson 
- Paris 
- e a escolha da pintura de Vicent van Gogh como fundo para o cartaz promocional do filme. Parece-me que Allen e Gogh têm algo em comum - esquizofrenia, por exemplo.



21/09/2011

Somewhere (2010) por Sofia

Atenção: contém spoilers



É oficial. Sofia Coppola ganhou um lugar cativo no top dos meus realizadores favoritos.
Aqueles que conhecem a obra da autora e que a apreciam, não estranham a existência em Somewhere de elementos sonoros, emotivos e sobretudo a existência de cenários pensados ao detalhe e o recurso a uma sensibilidade delicada e subtil.

Johnny Marco (Stephen Dorff), um actor no auge da carreira, bem sucedido, rodeado por "aparentes amigos", mulheres, álcool, drogas, só, sem sentido, oco. 
Cleo (Elle Fanning) leva uma vida de idas e de vindas - típica de alguém que é filha de país separados.  Dotada de uma aparência jovem, mostra-se madura e adulta em várias ocasiões, não através de palavras, mas pelas acções. São intercalados momentos dúbios em que a maturidade sobressai à juventude - e vice-versa. Temos um desfile de pormenores: a menção à saga Twilight;  a  wii, o ballet,  o diário, a culinária e a preocupação para com os outros. 




Cenários: o fabuloso e mítico hotel Chateau Marmont e o Ferrari de Marco.

Sofia Coppola consegue, mais uma vez, colocar no enredo, detalhes que à vista desarmada passariam despercebidos a um olhar menos atento - a moda, as marcas, a música - tudo isto denota uma contemporaneidade interessante, sóbria e atenta. A história de Somewhere é contada por alguém que tão bem conhece o "mundo hollywood" e quiçá, a sua própria vivência/experiência tenha servido de inspiração à história. 

Uma pequena menção a Chris Pontius - Sammy - o melhor amigo de Marco e é nada mais nada menos que igual a si mesmo e àquilo que é na vida real. 
É um filme sobre solidão, aparências e sobre a busca de sentido para a vida. Recheado por planos fabulosamente detalhados, takes longos e filmado a um ritmo absolutamente arrebatador. O auge - uma íntima e profunda cena partilhada por pai e filha na piscina, mergulhada em profundo silêncio no que a palavras diz respeito, mas com a música "I'll Try Anything Once" dos The Strokes como banda sonora.




No fim - a certeza de que todos temos "uma estrada a percorrer na vida". 
Resumindo: precioso 

13/09/2011

Rise of the Planet of the Apes (2011) por Sofia

Contém spoilers (mais ou menos)

Ultimamente evito ler críticas e notícias tendenciosas - seja para o bem, seja para o mal, sobre determinados filmes. Procurei ir ver o filme, com a mínima informação possível, sendo que as únicas coisas que vi foram os trailer (dos melhores que se tem feito ultimamente) e os posters.
Não conheço a obra literária por detrás do filme e não sou propriamente fã de ficção científica e assim sendo,  peço desculpa antecipadamente àqueles que acharem que o que vou escrever é terrivelmente parvo e dispensável.




Questiono: é o Rise of the Planet of the Apes ficção científica? 
  • É ficção científica a luta incessante, despesista, arrogante, torturadora, manipuladora  e capitalista que as indústrias farmacêuticas enveredam na busca do medicamento supostamente perfeito ?
  • É ficção científica a propagação de vírus criados em laboratório?
  • É ficção científica a eterna mania que o ser humano tem em denominar-se o "ser superior"?
  • É ficção científica o desrespeito e a intolerância para com a doença e por aqueles que são diferentes da normalidade vigente?
  • É ficção científica ver primatas a demonstrarem inteligência, capacidades de raciocínio, sentimentos e domínio na língua gestual?





E acrescento: Luta de classes? Acesso a direitos básicos? Respeito? Liberdade? 
Somos nós - homo sapiens sapiens - membros do ramo de primatas que foi brindado pelo processo de hominizacao, superiores? Seres evoluídos física e mentalmente ?
Tenho dúvidas.
Talvez o facto de ter estudado a hominização me faça ter algumas inquietações. Tento ter sempre presente a ideia de que os nossos antepassados primatas não inventaram o fogo, aprenderam a manusea-lo, criaram os bifaces e pintaram nas paredes das grutas, as primeiras representações artísticas da História. Convém ter igualmente "a fresco" na memória: selecção natural, a lei do mais forte, etc. - o evolucionismo. 




O filme é competente, bons efeitos especiais, um César extraordinário. Um James Franco suficiente, John Lithgow num bom registo e Freida Pinto, linda de morrer. Mas César é o centro das atenções - nele vi um líder sindical, um chefe de estado, o responsável por uma empresa de sucesso, um líder espiritual e um intérprete de língua gestual.

Até hoje sempre tinha tido o sonho utópico de ter um macaco em casa. Mudei de ideias. Não por receios físicos, mas por medos intelectuais. 


10/09/2011

Blue Valentine (2010) por Sofia



Nota: contém spoilers

Como é complicado escrever sobre algo que se gostou tanto.
Blue Valentine estava na lista dos "a ver" há muito, mas só nas férias consegui ver... e como estava em falta.

Derek Cianfrance teve a genial sorte de iniciar a carreira com um filme que gera na maioria dos espectadores - semelhança, empatia, identificação. É bom perceber que em pleno século XXI, a abordagem amor/ desamor continua a ter um lugar no cinema e que a forma de o abordar é quase inesgotável.
O filme mostra que o amor não é suficiente. O amor não vence o “factor tempo”, a rotina, a apatia. Não chega sexo, não chegam os filhos, não chega uma casa, não chega o emprego estável – nada salva aquilo que tem a morte anunciada.
A fantástica história de Cianfrance tem como personagens principais Dean (Ryan Gosling) e Cindy ( Michele William) – um casal igual a tantos outros, mas que neste filme está em plena crise matrimonial. Dean, mais do que Cindy tenta encontrar uma solução, a salvação da relação. E na tentativa desesperada de estabilizar o que têm, resolve promover uma noite romântica – longe de tudo e de todos, num cenário que tinha grandes possibilidades de unir física e intimamente o casal. Não resultou – piorou.


Talvez o que torna o filme tão intenso e ao mesmo tempo quase cruel – são os diálogos intensos entre o casal, bem como a recorrente utilização de flashbacks, em que a narrativa navega entre o passado e o presente, sendo que no passado assistimos a uma história de amor e no presente somos presenteados com um anunciado fim.
Aqueles que já viveram relações longas, percebem a honestidade da história por detrás de Blue Valentine. O amor acontece, o amor acaba. Não é possível evitar o fim, mas pode ser evitado um fim  doloroso.
O filme é incrivelmente bonito. É uma viagem ao desgosto, ao amor e a promessas que se pretendiam eternas. Adorei cada detalhe, cada palavra, cada suspiro.
P.S. - a banda sonora é perfeita