30/07/2012

Falou e disse... por Arnold Schwarzenegger

«Eu e o Sly [Sylvester Stallone] sempre fomos competitivos. Se ele matou 288 pessoas, 
então eu matei 289
(at Comic-Con 2012)


Dúvidas?

Mila Kunis como Miss Dior 2012


A actriz Mila Kunis é a nova imagem da marca Dior  para a campanha Miss Dior 2012 (colecção de malas). Como que a "conta gotas" a Dior já mostrou duas imagens e agora lançou um video de 30 segundos - uma espécie de trailer do anúncio que vai ser lançado brevemente a nível mundial. 
As fotografias a preto e branco são da autoria de Mario Sorrenti e são inspiradas nos anos 50 e na obsessão dos paparazzi pelas celebridades. 





Rock of Ages (2012)

[spoiler]


Não gosto de musicais. Para não dizer que odeio musicais (deixo no entanto a referência - adoro a banda sonora de Moulin Rouge... mas BOLAS... não posso ser perfeita!) 
Fui ver Rock of Ages quase obrigada por um homem... Longe vão os tempos em que os machos tinham a obrigação hormonal de não gostar destas coisas com purpurinas e vozes de canas rachadas. Enfim... saudosos tempos em que homens usavam cuecas sem medos. 

De qualquer forma a minha paixão por Adam Shankman (pessoa que provavelmente só os fãs de So You Think You Can Dance conhecem) é grande. Conheço o seu sentido de humor, as suas coreografias e o seu trabalho estético e conheço grande parte do fabuloso elenco deste filme, facto que me fez aceitar o desafio cinematográfico. Shankman inspirou-se no musical com o mesmo nome - Rock of Ages, por sua vez inspirado num livro de Chris D'Arienzo e que está em cena na Broadway desde 2006. 

Cronologia -1987 
Local - Los Angeles
A história: 
Dois jovens cruzam histórias de vida e partilham o sonho de serem estrelas de rock - são eles Drew Boley (Diego Boneta) e Sherrie Christian (Julianne Hough). 
Cenário principal - The Bourbon Room - um ícone da cidade, símbolo da cultura rock, cujo dono é Dennis Dupree (Alec Baldwin), que enfrenta grandes problemas económicos e os ataques "sindicais" dos valores políticos, conservadores e religiosos de Patricia Whitmore (Catherine Zeta-Jones). Pelo meio um músico em degradação - Stacee Jaxx (Tom Cruise), o seu pouco correcto agente Paul Gill (Paul Giamatti) e Constance Sack (Malin Åkerman) - a jornalista da Rolling Stone (um ainda hoje - símbolo da cultura rock). Circulam ainda no enredo do filme: whisky, um macaco mal vestido e músicas que quase todos conhecem e que fazem parte do nosso imaginário de gente - sobretudo aquelas baladas rock, cujas letras são do mais piroso que existe, mas que todos sabemos de cor e salteado e nunca resistimos a cantar. Um destaque positivo - se bem a que acho deslocada da temática, e pondo de parte a ligação história entre Soul e Rock, porque isso ia dar uma tese de Mestrado - à fabulosa voz de Mary J. Blige










Rock of Ages é outro filme a constar na lista imensa de filmes que provam que grandes elencos não fazem grandes filmes. Shankman tinha tudo para fazer um filme razoável - a música, a época, os cenários, as pessoas. Mas falha. E falha porquê? - Falha a meu ver pelos diálogos musicais - sobretudo aqueles entre os dois jovens protagonistas. São pavorosos, dignos da Disney e para menores de 16 anos. Não chega ter duas caras bonitas e algum talento para a coisa funcionar. Para mim não existe química alguma entre os dois e tudo o que fazem soa a plástico.
Zeta-Jones insuportável e Lonny Barnett (Russell Brand) igual a si próprio - ou seja, estúpido, mas salvo pela excelente parceria com Alec Baldwin. 
Giamatti pouco aproveitado. 


E agora a pièce de résistance do filme - Tom Cruise é absolutamente extraordinário. Ele é a personificação daquilo que o filme queria retratar - a idade do Rock, o estilo, o modo e a cultura de vida rock - pura e dura.  Ele é um misto de Mick Jagger e Steven Tyler com um "quê" de Billy Idol Bret Michaels. E que actor fabuloso! Já o tínhamos visto num registo inesperado como Les Grossman em Tropic Thunder (Ben Stiller / 2008) e aqui volta a provar como é um dos melhores e mais flexíveis actores da sua geração e comprova como é desnecessário perder tempo a falar sobre o seu divórcio e a sua defesa no que à cientologia diz respeito. 

De qualquer forma, o filme é divertido, colorido, musical, e tenho a certeza que se gostasse de musicais  tinha gostado do filme na sua totalidade, mas não, não consigo. O filme para mim é Tom Cruise e pouco mais.
Entretanto aproveito para desabafar que começo a ficar MUITO cansada de macacadas nos filmes. 


16/07/2012

Red Road (2006)


[spoiler]



Como ficar indiferente a um filme do tipo “das 100 pessoas na sala de cinema, apenas 20 ficarão até ao fim”!

Cru, frio, escuro. Amostra quase documental de uma realidade social complexa, carente, disfuncional e perturbadora. 
O filme de Andrea Arnold conta a história de Jackie (interpretada por Kate Dickie) uma polícia que tem a seu cargo a videovigilância de um bairro social  denominado Red Road - situado em Glasgow. 
Até aqui tudo parece normal... 
Mas depressa percebemos que esta mulher é solitária, com pouca ou nenhuma vida além trabalho. Aparentemente vive sozinha, tem uma relação física, mas fria e automática com um homem casado, portadora de uma aliança e que dorme com dois potes.




Tudo muda no momento em que um homem aparece nos seus ecrãs de vigilância. Não percebemos porquê o fascínio/obstinação imediata que ela sente, mas percebe-se que a razão será algo obscura pois a perturbação invade-a. Jackie inicia uma verdadeira perseguição voyer ao homem. 
Há muito que não se entende... mas são estas “pontas soltas” na narrativa do filme que o tornam fascinante. Percebemos que Jackie é uma pessoa perturbada, é sugerido que aquela ligação ao estranho não é casual, mas não percebemos bem o porquê de tudo. Ficamos com mais dúvidas quando Jackie sai da frente dos ecrãs de video-vigilância e vai para o terreno, iniciando uma perseguição além vídeo. De forma destemida e arriscada Jackie envolve-se com aqueles que vigia diariamente. E nós, os espectadores continuamos sem alcançar o porquê.




Ao longo do filme é pedido (de forma subtil) aos espectadores atenção máxima aos detalhe, às expressões da protagonista, à sua luta diária e sobretudo à sua tristeza e infelicidade atroz.
As personagens secundárias são quase que remetidas à insignificância, uns são colegas, outros percebemos que são familiares, mas não sabemos quem. Há um casamento… de quem? Desconhece-se, mas os diálogos que acontecem na cerimónia perturbam ainda mais Jackie.




Depois de alguns desenvolvimentos e perseguições descartadas... Depressa a ligação entre Jackie e o estranho sofre uma intensa aproximação. E é  neste momento em que os dois se encontram que a história do filme começa a ser desvendada. A cena de sexo entre os dois é bruta, explicita, e da parte de Jackie é envolta num espírito de vingança que finalmente percebemos. Depois do envolvimento sexual, a protagonista simula que foi violada. Manipula o esperma que ficou depositado no preservativo e agride-se violentamente a ela própria. Segue-se a polícia...




A justificação para tudo é aparentemente simples: o homem que Jackie vigia, segue e com quem acaba por se envolver fisicamente matou-lhe a filha num acidente de viação. Todas as acções da personagem principal tem como objectivo a vingança. Mas conseguirá Jackie alcançar a paz de espírito e vingar a morte da filha? 
A resposta é sim... talvez... não! nada melhor do que ver o filme.

Red Road foi vencedor em 2006 do Prémio Júri em Cannes, ao qual juntou 5 Baftas e um Sutherland Trophy - pela originalidade do argumento. 
O filme fez "parte de um conceito único de três filmes, chamado Advance Party, produzido pela Sigma Films em Glasgow e pela Zentropa na Dinamarca. A ideia é que o mesmo grupo de personagens seja entregue a três diferentes realizadores, que terão de desenvolver um filme com essas personagens. Todos os filmes terão o mesmo tempo de rodagem e serão filmados na mesma cidade, Glasgow" (in My One Thousand Movies