13/05/2017

Opinião ▪ King Arthur: Legend of the Sword | Guy Ritchie. 2017




As boas notícias são: 
- só são necessários cerca de 15 minutos para ver Charlie Hunnam em tronco nu. 
- cenários, banda sonora e sobretudo guarda roupa e acessórios – são deslumbrantes. 

A má: 
- As histórias medievais, romances de cavalaria e folclore em torno da mítica lenda do Rei Artur que todos conhecemos e pelas quais somos fascinados dá lugar um argumento que parece ter sido escrito por J. R. R. Tolkien ou por George R.R. Martin e à qual é acrescentada a alucinação normal da cinematografia de Guy Ritchie


Geralmente gosto da ousadia do realizador inglês. Gosto muito das suas opções estéticas. Para mim, The Man from U.N.C.L.E. foi um dos melhores filmes de 2015, por muitas razões diferentes mas sobretudo porque é um filme de estilo, com estilo e assume isso. 

Mas em King Arthur: Legend of the Sword arriscar colocar o estilo à frente da substância não correu tão bem. Conforme mencionei em cima, não há nada a apontar no que à estética diz respeito. Todos os detalhes são soberbos. É a transformação do misticismo histórico e da magia do Ciclo Arturiano em ficção científica que coloca o filme num limbo muito frágil. O filme é um espetáculo de efeitos especiais, para o bem e para o mal. 









Também no elenco há problemas. Jude Law ainda está muito ligado à personagem Lenny Belardo de The Young Pope e Charlie Hunnam continua com “tiques” Jax Teller. Nenhum dos dois está propriamente mal mas este é um daqueles filmes em que cenário, roupas e más opções de produção e realização ofuscam as interpretações. Aidan Gillen anda pelo filme com muito de Petyr 'Littlefinger' Baelish e o elenco feminino é quase inexistente. Um acto quase criminoso porque somos quase proibidos de apreciar a beleza de Astrid Bergès-Frisbey

Além da abordagem científica desta fábula histórica é na história, no roteiro e na edição que estão os grandes problemas do filme de Guy Ritchie. Existem partes do filme que começam e terminam tão abruptamente que não fazem qualquer sentido para o espectador. 

A hipótese de uma segundo parte ficou bem patente no fim do filme e talvez por isso, a personagem de Merlin (apesar de omnipresente) fique para “segundas núpcias”. A meu ver, esta é uma ausência imperdoável. No entanto tenho muito medo do que virá da mente de Ritchie, sobretudo de tivermos em conta que, para o realizador, o Rei Artur - um dos protagonistas da crônica Historia Regum Britanniae (História dos Reis da Bretanha), composta por Godofredo de Monmouth - é no filme, um ladrão criado num bordel.

E para terminar caro Guy: é um grande erro construir um filme inteiro em torno do paradeiro de uma espada. A lenda de Excalibur não é tão importante como a do homem que nasceu para a manejar. É pena que não tenhas percebido isso! 


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